As minhas lágrimas regam os sentimentos mais puros e verdadeiros e me fazem renascer a cada nova estação. (Mônica Caetano Gonçalves Maio/2011)
Registro na Biblioteca Nacional nº: 570.118

domingo, 21 de julho de 2013

E o escambau

Imagem: Imbondeiro – Fonte: Google/divulgação

Vira e mexe me pego encafifada com os termos e expressões idiomáticas empregados na linguagem oral e coloquial pelo Brasil afora, sejam eles atuais ou mais antigos. A palavra encafifada mesmo, já serve de exemplo e apesar de fora de uso ainda soa melhor do que ensimesmado. Não se enganem, nada tem a ver com cafifa, que é desejar má sorte a alguém em um jogo qualquer ou outro nome dado a pipas e papagaios. Só até aqui, já se tem uma noção da diversidade de usos para uma única palavra e de que, muitas vezes, pouco vale buscar na etimologia seu significado.

O mais interessante é que quando me lembro de uma, passa a ser a primeira de uma fila quase interminável. Pode realmente se tornar um imbondo, uma dificuldade, como ainda se diz no interior das Minas Gerais. Em Moçambique imbondos são os baobás, essas árvores gigantes há muito consideradas sagradas em toda a África, como pontes entre o céu e a terra, antes mesmo que se soubesse de suas tantas propriedades medicinais.

Daí, se tiver algum tempo para vagabundear pensamentos, viajo por estas terras de tantos trejeitos e sotaques e posso ainda navegar por outros mares de língua portuguesa, num verdadeiro escambau de palavras a permutar seus significados. No Brasil império era assim chamada uma grande feira para troca de mercadorias sem uso da moeda corrente, vestígios dos escambos praticados com os índios durante a colonização. Há quem defenda a idéia de que a palavra tenha sua origem em cambada, enquanto outros acreditam ser corruptela de “whisk and bowl”, acreditem.

São muitas as possibilidades de usos para as palavras ditas e escritas neste nosso idioma tão rico, significados sempre influenciados pela geografia e contornos de micro regiões, marcadas por seus aspectos culturais no tempo.

Aqui, meu escambau é um et cetera, já que a linguagem é viva e dinâmica e segue remodelando-se.


Publicada no Jornal “O Pioneiro” em 21/07/2013

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