As minhas lágrimas regam os sentimentos mais puros e verdadeiros e me fazem renascer a cada nova estação. (Mônica Caetano Gonçalves Maio/2011)
Registro na Biblioteca Nacional nº: 570.118

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Instantâneo


Nesse tempo,
Que é tempo
Do instantâneo,
Paro para lembrar
De outros tempos...
Das cartas escritas,
De encontros marcados,
Da praça,
Da pressa do telegrama,
Da prensa e máquina de escrever,
Da foto de família...
De um quotidiano
Que hoje,
É peça de Museu
E que cabe
Em um segundo
De minhas memórias...

19/09/2011

sábado, 17 de setembro de 2011

Rima chula

Hoje eu não estou para prosa...
Faça a rima como você gosta.
Não vale lamentar a perda
Ou falar do coração que se partiu.
Não faça disto uma luta,
Diga a primeira palavra que lhe ocorrer.
Vamos lá, pegue a caneta,
Isto pode ser divertido!

17/09/2011

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Silêncio




Teu silêncio
Fez calar minh'alma.
Disse mil palavras
Que jamais pensei ouvir
E que ainda soam
Como triste melodia...
Do que era Amor
Restou somente a certeza
De que nada adiantam
Os sonhos e desejos meus
Teu silêncio...
Disse-me...Adeus...


15/09/2011

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Desabafo



Que não me privem da liberdade
A duras penas conquistada por tantos.
Antes a coerção também era armada,
Hoje, somos assaltados por bandos.


Que faça a rima fácil,
Quem quiser entender melhor.
Tem ladrão para todo lado,
Engravatado ou pé descalço.

Cansei de gritar sozinha
Para não morrer na esquina
Ou ser mais uma notícia no jornal,
De pagar a comida servida na prisão
E o salário de quem escolhi
Para manter a ‘Ordem e Progresso’...

Não quero meu direito empoeirado,
Esquecido no alto da estante.
Tenho o pensamento livre
E quero poder ir e vir
Sem medo ou restrição.

Não nasci passarinho
Para cantar na gaiola,
Com os gatos rondando lá fora!

14/09/2011

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Tormenta


Tempo,
Que nasce e mata,
Renova e maltrata.
Dias de bruma seca,
De folhas no chão
E galhos nus...
Ar parado,
Espera...
Sentimento apertado
No peito...
Que venha
A tormenta anunciada!
Trazendo em si
A chuva... Lágrima...
Que acalma e conforta
Pacifica a dor...
Lavando o céu,
Telhados e alma...
E faz brotar
Novo tempo...
Semeia... Sem dor!

12/09/2011

Beija-Flor



Beija-flor
Voando de flor em flor
Escolhendo a mais doce
E mais bela,
Rosa amarela
Colorindo o mundo,
Refazendo a vida...
Eu...
Bem te vi,
Que nasci sabiá,
Bem te quero
E admiro teu vôo...

12/09/2011

domingo, 11 de setembro de 2011

Por que a Guerra?


Uma conversa entre Einstein e Freud... Inimaginável ??? Mas aconteceu. Em cartas. O ano, 1932 e sob o patrocínio do Instituto internacional de cooperação intelectual e da Liga das Nações.
O primeiro convidado, Einstein, escolheu Freud como interlocutor e o tema: ‘Como é possível livrar o homem da fatalidade da Guerra?’... Simples assim... Utilizando a contextualização histórica como embase de sua argumentação a resposta de Freud é uma viagem fantástica! O que mais se poderia esperar de mentes geniais?
Iniciaram a conversa, analisando as relações entre direito e poder, termo que Freud preferiu substituir por violência... Antagônicos por definição. Na opinião de Freud, o direito se originou como uma reação e tentativa de controle à violência do mais forte e seus desejos de jugo e dominação sobre os frágeis.  Estes se aglutinaram em razão de sua fragilidade na urgência pela sobrevivência.
E seguem... Como no reino animal, os conflitos de interesse se resolvem através da violência. Evidentemente, com a evolução da espécie e o desenvolvimento das sociedades humanas, a superioridade intelectual foi tomando o lugar da força física. Assim, a violência caminhou para o direito, já que a maior força de um poderia ser compensada pela união de vários fracos, sendo o direito a representação do poder dos unidos.
E surpreendentemente para muitos, Freud considera o direito uma forma de violência, que se volta contra todos os que a ele se oponham. Acresce-se à pluralidade, a diversidade e desigualdade entre os indivíduos de uma comunidade, gerando inevitavelmente relações de poder em seu interior. As conseqüências possíveis a um desequilíbrio, ou melhor, a busca de equilíbrio nas relações de poder, são bem conhecidas: rebeliões, guerras civis, entendidas como suspensão temporária do direito até a instauração de uma nova ordem jurídica.
Ambos concordam que uma segura prevenção às guerras é possível somente se houver uma instituição central, investida do poder necessário e à qual seja transferida a decisão em todos os conflitos de interesse. A quantas tentativas bem intencionadas e fracassadas já assistimos?  Para Freud é um erro de cálculo considerar que o direito, ainda hoje, possa prescindir do amparo da força.
E passa a analisar Eros e Tanatus, os instintos primordiais e sua relação com os valores de Bem e Mal... ’Partindo de nossa mitológica teoria dos instintos, é fácil chegar a uma fórmula para os meios indiretos de combater a guerra... Tudo que produz laços emocionais entre as pessoas tem efeito contrário à guerra’.  Lembrando que se refere a laços afetivos e amorosos, embora sem objetivos sexuais.
E sobre o abuso de poder:  ‘Inscreve-se na inata e inerradicável desigualdade dos homens o fato de eles se repartirem em líderes e dependentes’... ‘ deveria haver mais cuidado... em educar uma camada superior de indivíduos de pensamento autônomo, refratários à intimidação e buscadores da verdade, aos quais caberia a direção das massas subordinadas’.  Uma idéia que vai de encontro e extrapola os Poderes do Estado e a proibição do pensamento pela Igreja, naturalmente.
Enfim, Freud questiona e responde:  ‘Por que nos indignamos de tal forma com a guerra ?’
‘Porque todo homem tem direito a sua própria vida, porque a guerra aniquila vidas humanas plenas de esperança, coloca o indivíduo em situações aviltantes, obriga-o a matar outros, algo que ele não quer, destrói preciosos bens materiais, resultantes do trabalho humano e outras coisas mais’.
‘E quanto tempo teremos que esperar até que outros se tornem pacifistas?’
...’ Pode não ser uma esperança utópica, que a influência desses dois fatores, da atitude cultural e do justificado medo das conseqüências de uma guerra futura, venha a terminar com as guerras num tempo não muito distante’... E conclui: ‘Tudo o que promove a evolução cultural também trabalha contra a guerra’.
Em todos os tempos, pensadores, dominantes e dominados, preservacionistas e pacifistas - ainda que por razões de sobrevivência individual – buscaram e buscam formas e motivos para se atingir e instaurar a ‘Paz na terra aos homens de boa vontade’ e até para os má vontade, por que não? Há que se pensar sempre, até que se estabeleça, sejamos nós grandes ou pequenos pensadores...
(Reflexões in Sigmund Freud – Obras Completas Volume 18 Tradução: Paulo César de Souza  - Companhia das Letras -  Porque a Guerra – Carta a Einstein -1932 – Pags. 417 a 435)
11/09/2011